Mais recursos para monitorar o lúpus e outras doenças imunomediadas
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 Mais recursos para monitorar o lúpus e outras doenças imunomediadas

Mais recursos para monitorar o lúpus e outras doenças imunomediadas

Imunocomplexos circulantes e anticorpo anti-C1q já podem ser pesquisados na rotina do laboratório.


Imunocomplexos circulantes

Anticorpos podem se ligar a antígenos solúveis e formar imunocomplexos, que têm potencial de se depositar nos tecidos e causar lesões, quer pela grande quantidade, quer pela impossibilidade de sua remoção pelo sistema reticuloendotelial. As áreas afetadas por esses complexos dependem da localização do antígeno nos tecidos e da maneira como ocorre o depósito. Seja por uma infecção contínua, seja por um processo de autoimunidade, seja por defeitos nos fagócitos, a persistência do antígeno pode levar à doença por complexo imune, a exemplo do já referido lúpus eritematoso sistêmico, além da glomerulonefrite pós- -estreptocócica, da poliarterite nodosa e de algumas formas de vasculites. A presença de imunocomplexos circulantes (ICC) não configura um achado especifico, pois pode ser encontrada em diversas condições clínicas. No entanto, a dosagem sérica dos ICC por ensaio imunoenzimático constitui uma ferramenta interessante para monitorar e controlar o tratamento dessas afecções, já que seus níveis guardam correlação com o grau de atividade de tais enfermidades.



Molécula C1q sob microscopia eletrônica de transmissão.

Anticorpo anti-C1q

O anti-C1q associa-se ao envolvimento renal e ao desenvolvimento da nefrite lúpica, que ocorre em cerca de 50% dos portadores de lúpus. Esse marcador está presente em 20% a 50% dos pacientes com LES e na maioria daqueles com nefrite lúpica ativa. Assim, ajuda a detectar essa complicação precocemente e tem considerável valor preditivo negativo para afastá-la. Na prática, a avaliação seriada de anti-C1q é considerada um método não invasivo útil no seguimento desses indivíduos. Ademais, os níveis séricos do autoanticorpo correlacionam-se diretamente com a resposta terapêutica. Vale ressaltar que de 4% a 6% das pessoas saudáveis podem apresentar o anti-C1q positivo e que esse marcador pode estar presente em outras doenças autoimunes, como a esclerodermia, a artrite reumatoide e a dermatomiosite. Na urticária-vasculite, quando detectado, constitui um dos critérios para o diagnóstico.

O C1q e o lúpus

Como componente do complemento, o C1q participa da ativação da via clássica e desempenha um papel fundamental na depuração dos imunocomplexos e dos restos da apoptose celular. Sua deficiência hereditária homozigótica é um dos mais fortes fatores de risco para o desenvolvimento do LES, embora a maioria dos lúpicos não tenha essa condição. Por outro lado, tais pacientes frequentemente apresentam níveis baixos de C1q, sobretudo durante a atividade da doença, em função da ativação da via clássica do complemento e do consequente consumo de seus componentes. Além disso, a presença de anticorpos anti-C1q pode contribuir para a diminuição dos níveis séricos de C1q.

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