Como esclarecer uma suspeita de hepatite viral
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 Como esclarecer uma suspeita de hepatite viral

Como esclarecer uma suspeita de hepatite viral

Qualquer que seja o agente etiológico, a infecção aguda tem manifestações semelhantes, enquanto a crônica pode permanecer silenciosa até que as complicações apareçam.

Vírus da hepatite: um importante problema da saúde pública no mundo Vírus da hepatite

As hepatites causadas por vírus atingem milhões de pessoas anualmente e continuam a representar um importante problema de saúde pública em todo o mundo. As manifestações clínicas de uma hepatite aguda viral praticamente não variam conforme o agente etiológico envolvido, impedindo um exame diagnóstico diferencial sem o emprego dos marcadores virais específicos.






Quadros agudos

Esses casos cursam usualmente com um período prodrômico marcado por sintomas inespecíficos, tais como febre, astenia, dores musculares, cefaleia, náuseas, vômitos e artralgias. A esse quadro se segue um período de estado, caracterizado por icterícia, colúria e hipocolia ou acolia fecal, acompanhadas ou não de prurido cutâneo, além de hepatomegalia discreta e, eventualmente, esplenomegalia.

 

Infecção crônica

A clínica costuma ser oligossintomática nesses pacientes, razão pela qual muitas vezes só se reconhece a doença diante de complicações decorrentes de sua progressão para cirrose hepática ou hepatocarcinoma – outras vezes, o diagnóstico é casual, a partir da descoberta da elevação de aminotransferases. Apesar disso, pode haver sintomas genéricos, a exemplo de fadiga, mal-estar, artralgias, perda de peso e anorexia, ou, nos pacientes com doença mais avançada, manifestações como colúria e icterícia intermitentes, edemas e aranhas vasculares.

Uso prático dos marcadores de hepatite

Curva de marcadores virais em hepatite B crônica Curva de marcadores virais de hepatite A
Hepatite A

O diagnóstico de hepatite aguda pelo vírus da hepatite A (VHA) se baseia na detecção de anticorpos anti-VHA da classe IgM, que se tornam positivos no início do quadro clínico e permanecem detectáveis por cerca de quatro a seis meses. Passado esse período, só é possível encontrar anticorpos anti-VHA da classe IgG, que conferem imunidade à doença e indicam infecção pregressa pelo vírus. É importante ressaltar que o VHA não é capaz de causar hepatite crônica.

 

 

 

 

Curva de marcadores virais em hepatite B aguda com cura Curva de marcadores virais em hepatite B aguda com cura
Hepatite B

Nos quadros agudos de hepatite B, o diagnóstico é feito pela presença do antígeno HBsAg e do anticorpo anti-HBc da classe IgM, que ficam positivos no começo das manifestações clínicas e podem ser detectados por até seis meses. Após a infecção, o anti-HBc da classe IgG aparece na circulação e, a seguir, o desaparecimento do HBsAg e o surgimento do anticorpo anti-HBs atestam a resolução do quadro e a imunidade do paciente. A evolução para a cronicidade se caracteriza pela persistência do HBsAg depois de seis meses de infecção e pelo não aparecimento do anti-HBs.

 

  

 

FAN com padrão pontilhado fino denso Curva de marcadores virais em hepatite B crônica

A presença do antígeno HBeAg marca a fase replicativa viral, cujo fim é sinalizado pelos anticorpos anti-HBe. O vírus da hepatite B (VHB) pode sofrer mutações que permitem sua replicação, a despeito da presença de anti-HBe, e induzem nova elevação de transaminases. Nesse sentido, as infecções crônicas pelo VHB exigem o uso de testes moleculares (VHB-DNA qualitativo e quantitativo) para a caracterização da doença, a indicação do tratamento e a avaliação prognóstica e de resposta à medicação.








Hepatite C

O marcador sorológico utilizado para a detecção do vírus da hepatite C (VHC) é o anti-VHC, que, nas infecções agudas, leva de 4 a 24 semanas para se positivar. Como esse vírus raramente produz manifestações clínicas de hepatite aguda, em muitos casos o diagnóstico não é feito nessa fase. O anti- VHC permanece positivo indefinidamente, tanto nas infecções crônicas quanto nos casos que evoluem para a cura. Desse modo, a confirmação da persistência da infecção, a caracterização da atividade da doença, a indicação de tratamento e a avaliação prognóstica e de resposta terapêutica também não prescindem do emprego de testes moleculares, como o VHC-RNA qualitativo e quantitativo, além da genotipagem viral.

Hepatite delta

O vírus delta (VHD) é considerado defectivo, uma vez que sua replicação depende da presença do VHB no mesmo indivíduo. Portanto, a hepatite por essa etiologia pode ocorrer por infecção simultânea por VHB e VHD (coinfecção) ou pela aquisição posterior do VHD por um portador crônico de VHB (superinfecção). Nas coinfecções, estão presentes o anti-VHD, o anti- HBc da classe IgM e o HBsAg. Já nas superinfecções, além de os marcadores do VHB se encontrarem positivos, há uma fase aguda de infecção pelo VHD, marcada pela presença do antígeno delta (HDVAg) e, a seguir, dos anticorpos antidelta (IgM e IgG). Esses casos têm pior prognóstico, com evolução mais frequente para formas fulminantes ou crônicas graves da doença. A superinfecção ainda inibe a replicação do VHB, o que pode levar à soroconversão do anti-HBe.

Hepatite E

O diagnóstico da hepatite aguda pelo vírus E (VHE) pode ser definido pela presença do anticorpo anti-VHE da classe IgM. Por sua vez, o encontro do anti-VHE da classe IgG atesta imunidade à doença, que não exibe forma crônica.

Conheça melhor cada um dos vírus por trás das hepatites

Agente

VHA

VHB

VHC

VHD

VHE

Tipo de vírus

RNA DNA RNA RNA RNA

Transmissão

fecal/oral parenteral, sexual e perinatalparenteral e sexualparenteral e sexualfecal/oral

Incubação

28-45 dias30-90 dias15-120 dias60-180 dias 15-60 dias

Cronicidade

Não ocorreOcorre em 3-10% (adultos) / 90% (crianças)Ocorre em >70% dos casosfrequente na superinfecção e rara na coinfecçãoNão ocorre