Agora é a Hora
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 Agora é a Hora


 Agora é a Hora  

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Temos muita dificuldade de viver o presente, já percebeu? Estamos sempre preocupados com o futuro ou nostálgicos do passado. Que tal fincar os pés no agora?
 
Ser multitarefa não apenas impede que
você usufrua dos bons momentos da vida
como também afeta sua capacidade
de focar nas coisas e nos problemas.

 


Você precisa sentir-se feliz
por estar neste instante,
desfrutando de tudo o que
ele pode dar.
 
Você já reparou como nossos pensamentos se comportam? Eles vão para lá e para cá – como macacos pulando de galho em galho, como gostam de dizer os indianos – e raramente se aquietam para observar as coisas, como o simples ato de almoçar, escovar os dentes ou o lugar onde guardou a chave. Conclusão: gastamos tempo demais pensando no que aconteceu, nos preocupando com o que virá a ser e, claro, quebrando a cabeça para lembrar onde deixamos as coisas. Mudar isso pode gerar imensas transformações na sua vida, acredite. Afinal, como diz a bela música do cantor Gilberto Gil, o melhor lugar do mundo é aqui e agora.
Nessa altura, você deve estar se perguntado como fazer isso. Quem dá a resposta é o conferencista e escritor alemão Eckhart Tolle, no seu livro O Poder do Agora (editora Saraiva), um best-seller que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares ao redor do planeta. Para Tolle, o ser humano é o criador da noção de tempo e acabou por se tornar um escravo dele. Boa parte da inquietação que vivemos vem de achar que somos totalmente dependentes dos ponteiros do relógio.
Segundo o autor, o tempo nem sequer existe. E ele se pergunta: será que se a Terra fosse habitada somente por plantas e animais, haveria a noção de tempo? Algum desses seres vivos teria condição de responder a perguntas como “que horas são?” Claro que não. E isso só reforça a ideia de que o tempo é uma criação da mente humana e algo do qual ela tem imensa dificuldade de se livrar. Temos tanta dificuldade de nos libertarmos desse fluxo temporal porque o passado nos dá uma identidade e – muitas vezes – o saudosismo de que o que passou era melhor do que o agora. E o futuro é uma promessa de salvação, tudo o que não deu certo até agora encontra uma possibilidade de realização nos anos que estão por vir. Mas não são eles que importam. “Com isso, ficamos fixados nos acontecimentos que já foram, projetamos nossa vida para daqui alguns anos e não somos capazes de nos determos no presente, o único momento em que é possível realmente viver”, analisa a psicóloga e terapeuta Lana Harari, de São Paulo.
Para Tolle, a fórmula para viver o agora envolve, principalmente, não ficar escravo dos próprios pensamentos, que, muitas vezes, parecem vozes que não param de falar dentro da nossa própria cabeça. Pensar o tempo todo é desgastante, melhor vivenciar o que está acontecendo sem deixar que a mente entre em ação a todo momento como um ser onipresente e tagarela. São os pensamentos contínuos que nos impedem de encontrar a paz interior. Não se trata de parar de pensar, claro. Afinal, isso não é possível. Mas deixar de ser controlado pelos pensamentos, olhar para eles como quem observa as nuvens: elas vêm, aparecem em nosso campo de visão e passam. Simples assim.
 


UMA COISA DE CADA VEZ // Infelizmente, não dá para mandar a mente parar de pensar. Seria mais ou menos como abrir os olhos e ordenar que eles parassem de ver. Mas alguns exercícios são capazes de fazer com que ela saia do piloto automático, permitindo que os pensamentos fluam de uma maneira mais calma e controlada, ainda que por alguns minutos. É isso que acontece durante o devaneio ou nas práticas de meditação. “Quando deixamos de prestar atenção em algo e nos permitimos divagar, algumas áreas cerebrais específicas são ativadas, constituindo a chamada rede de modo padrão”, explica o psiquiatra Mario Louzã, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. “Seria algo como o ponto morto no câmbio do carro: o motor está ligado, mas o carro está parado. A rigor, não ficamos sem pensar, mas os pensamentos fluem sem uma direção específica, correm de modo solto”, completa ele. Devanear não significa pensar no que aconteceu no passado – exatamente uma das coisas contra as quais estamos tentando lutar –, mas deixar os pensamentos fluírem por alguns minutos, sem nos apegarmos a eles.
Quando aprendemos a não nos atermos aos pensamentos, deixando que eles fluam, nossa capacidade de focar só aumenta. O foco, aliás, é outra das âncoras que nos ajudam a permanecer no agora. É importante tentar fazer as coisas com plena atenção, largar o piloto automático. Quantas vezes, ao terminar uma refeição, você nem sequer se lembra do sabor dos alimentos porque, enquanto comia, sua cabeça estava em outro lugar?
Um dos principais inimigos do foco é a tendência em sermos multitarefa. As novas tecnologias até pioram isso: você está em uma reunião lendo e-mails; numa festa com os amigos checando as redes sociais, postando fotos, mandando mensagens. Impossível libertar a mente e concentrar-se no agora fazendo várias coisas ao mesmo tempo. “Que tal aprender a se dedicar a uma tarefa por vez para sentir prazer pleno em concluí-la?”, questiona a neuropsicóloga Ana Paula Macchia, do Instituto Ideia, em Santo André (SP). “Se você puder dar significado a cada pequena ação, irá se conectar ao seu prazer e aumentar seu foco.”
Uma das técnicas mais usadas para aumentar o foco e ancorar a pessoa no presente é o mindfulness. Traduzido como “atenção plena”, o mindfulness ajuda a entender que é possível lembrar do passado, sem angústia ou saudosismo, e se projetar para o futuro sem ansiedade. Por meio de diferentes exercícios (veja o boxe), a maior parte deles envolvendo meditação e autoconhecimento, as práticas treinam a pessoa para estar mais atenta ao corpo e mais presente nas atividades do dia a dia.
 



COMO DESFRUTAR DO HOJE // Um estudo realizado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em 2010, mostrou que, do tempo em que permanecemos acordados, 47% dele é gasto pensando no que já passou ou no que ainda está por vir. Trazer a mente para o presente exige alguma dedicação. Muito provavelmente você pensou: “Vou aprender as técnicas para poder viver melhor no futuro”. Pois é, funciona assim mesmo. Mal a gente se distrai e já está pensando em outro tempo. Para aprender a viver no agora e desfrutar dele hoje, é preciso se dar conta de onde você está, parar para perceber detalhes, cheiros, texturas e, principalmente, emoções.
A ideia também não é negar o passado, claro. Afinal, o que somos é o resultado do que já vivemos. “Temos é de desapegar do temor de que não viveremos nada igual ao que já passou. Ao nos livrarmos desse medo, nos abrimos para vivenciar com amor e entusiasmo o presente”, diz a professora e socióloga Isa Gama, especializada em ecopsicologia, prática da psicologia que reflete sobre a relação do homem com a natureza. Tampouco temos de negligenciar o futuro, o que está por vir. Mas não se pode viver escravizado por ele.
Precisamos de uma visão a longo prazo, planejar o futuro é saudável. Podemos querer ter filhos – e imaginar como será –; economizar para comprar algo importante ou viajar; estudar para dentro de alguns anos conseguir um trabalho melhor. Mas essa visão a longo prazo não deve atrapalhar o prazer do que está acontecendo naquele instante: aprender algo novo, tomar chope com os amigos, conquistar uma meta intermediária. O presente não deve ser visto apenas como um meio para se chegar a um fim.
 
MOMENTOS DE DOR // Eckhart Tolle sugere fazer, sempre que possível, a seguinte pergunta: “Eu estou à vontade nesse momento, nessa situação?” É um caminho para praticar a auto-observação e prestar atenção nos sentimentos. A pessoa precisa sentir-se feliz por estar naquele lugar, naquele instante, desfrutando de tudo o que ele pode dar. Pense em uma criança chupando um picolé. Para ela não existem o ontem nem o amanhã, só aqueles minutos de extremo prazer. “Elas têm a curiosidade e a abertura a novas experiências, aceitando os momentos sem julgar e colocando a intenção no que está fazendo”, lembra Guida Graf, psicóloga e especialista em mindfulness.
Mas o que fazer se o momento não for de prazer? Pois é, precisa se conectar ao agora mesmo que ele seja de sofrimento. Há uma frase do escritor João Guimarães Rosa – em sua obra Ave, Palavra – que diz: “Refresca seu coração. Sofre, sofre, sofre depressa que é para as alegrias novas poderem vir”. Portanto, só é possível voltar a viver feliz depois de vivenciar o momento do sofrimento. Mas Eckhart Tolle lembra, no livro O Poder do Agora: “Concentre a atenção no sentimento dentro de você. Reconheça que é sofrimento. Aceite que esteja ali. Mas não pense a respeito. Não permita que o sentimento se transforme em pensamento. Não julgue nem analise”. A dor e o sofrimento exigem uma grande dose de aceitação. “Enquanto você estiver lutando com o sentimento, estará desperdiçando boa parte da energia que precisa para vencer aquele momento”, diz Ana Paula Macchia, neuropsicóloga. “Não é fácil, mas viver apenas o momento reduz imensamente a angústia e o medo”, completa. Funciona também para lidar com o sofrimento do corpo. “Ao enfrentar a dor com consciência de que o seu corpo é um milagre da vida, que tem total capacidade para se restabelecer e se regenerar, volta-se o foco da atenção para a capacidade de cura”, diz Isa Gama.
Viver o agora é eficiente para reduzir as dores e doenças agudas, mas também para amainar o sofrimento do dia a dia, aquele que deixa uma sensação amarga na boca e nem sabemos direito por que, uma mistura de medos, frustrações, mágoas. “O sofrimento é gerado pela mente, que nos faz acreditar que é preciso mudar coisas externas a nós para resolver os problemas internos. Os pensamentos estão contaminados pelos temores mais profundos”, diz Isa Gama.
Mudar a forma que funcionamos desde que nascemos não é uma tarefa das mais simples. E também não acontece em um estalar de dedos. Mas dá para começar hoje, ou melhor, agora. Perceba o ar ao seu redor, os sons, os rostos, o contato da sua pele com a roupa, com o chão. Faça disso uma rotina, não como mais uma obrigação para que você possa viver melhor na semana que vem, no mês que vem. Mas como algo que vai permitir que viva com facilidade, leveza e alegria neste instante. Esse é o presente que a vida pode dar.


 

Hora de praticar

A psicóloga e especialista em mindfulness Guida Graf ensina a técnica dos 3 minutos. Sentando numa posição confortável com as costas eretas e os pés apoiados, feche os olhos.

Primeiro minuto: devagar, comece a tomar consciência do lugar onde se encontra, a temperatura, os sons e, em seguida, perceba seu corpo nesse momento. Sinta seus pés apoiados no chão, as pernas tocando uma na outra, as costas eretas, os braços apoiados no corpo, a pele em contato com a roupa. Apenas perceba qual a sensação que essas coisas despertam. Nada precisa ser mudado, apenas tente manter o contato com essas sensações.

Segundo minuto: agora expanda sua consciência para a experiência interna. Por alguns instantes se pergunte qual é sua experiência nesse momento: agradável? Desagradável? O que passa por sua cabeça? Apenas fique consciente da sua experiência como um todo observando suas sensações e emoções, sem se envolver com elas.

Terceiro minuto: volte agora sua atenção para a respiração e observe essa sensação de respirar. Onde você percebe melhor sua respiração? Na região das narinas? No tórax? No abdome? Tome consciência de cada inspiração e expiração, no seu tempo sem mudar nada, apenas perceba com curiosidade como está respirando nesse momento.
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