Nadismo: a arte de não fazer nada
Skip Ribbon Commands
Skip to main content

 Nadismo: a arte de não fazer nada


 Nadismo: a arte de não fazer nada  

saúde mental

Colocar uma pitada de ócio na rotina diária, acredite, vai deixá-la muito mais saborosa ​e te ajudar a melhorar sua qualidade de vida. Além de trazer saúde e bem-estar, o “ingrediente” estimula nosso lado criativo e até aumenta a produtividade. A receita para desacelerar você encontra aqui.

Há cerca de 30 anos, uma música “bombava” nas rádios do país: Mania de Você. Escrita pela eterna roqueira Rita Lee, ela repetia em um dos seus refrãos de maior sucesso: nada melhor do que não fazer nada... Sempre um passo à frente, Rita defendeu a necessidade de darmos um breque na rotina para, no caso da letra da música, namorar. Tal ideia chocou e ainda choca muita gente, pois o ócio é visto como perda de tempo. No nosso caso, essa visão é antiga e remonta ao descobrimento. Documentos relatam que os portugueses se chocavam como fato de os índios não fazerem nada. Discussões à parte, a ideia vingou e se tornou o centro da obra O Ócio Criativo (ed. Sextante), do filósofo italiano Domenico de Masi, lançado com enorme sucesso em 1995. No livro, De Masi afirma que curtir momentos de puro ócio alivia o estresse, estimula a criatividade, nos torna mais produtivos no trabalho e aumenta o autoconhecimento, só para citar alguns benefícios.

No seu rastro surgiu o nadismo, que pelo próprio nome já diz a que veio. “O movimento propõe uma importante transformação cultural: a consciência de que fazer nada não é perder tempo, mas uma forma muito valiosa de aproveitá-lo”, afirma o designer Marcelo Bohrer, idealizador do Clube do Nadismo, criado em 2006. “Assim, literalmente sem fazer nada, aprendemos a desacelerar e vivemos melhor.”

Então por que estamos falando de algo que não é novo? Pois agora o que era uma sensação passou a ser pesquisado cientificamente, tanto que um desses estudos gerou recentemente a publicação de um livro pelo neurocientista americano Andrew Smart, pesquisador da Universidade de Nova York. Em Autopilot: The Art and Science of Doing Nothing (Piloto Automático: A Arte e a Ciência de Não Fazer Nada, em tradução livre), o autor revela que o cérebro possui algumas regiões que estão mais ativas justamente quando estão em repouso. Essas áreas, batizadas de rede neural em modo padrão, nada mais são do que o piloto automático do cérebro. Trocando em miúdos, ao nos entregarmos ao ócio, o órgão está estabelecendo conexões que só são possíveis quando não estamos fazendo nada. Além disso, também está fixando informações e processando emoções que não seriam possíveis se, por exemplo, estivesse resolvendo uma questão matemática. Moral da história: deixar a mente vagar é um santo remédio para estimular a criatividade e garantir uma boa qualidade de vida. Só mais uma coisa: apesar de delicioso e implicar inatividade, dormir não pode ser classificado como um momento de nadismo. “Estudos mostram que o cérebro faz uma limpeza quando dormimos, mas a rede neural não é ativada nesses períodos de descanso”, explica o pesquisador. “O cérebro tem diversos níveis de atenção, e é necessário estimular essas variações ficando sem fazer nada por algum tempo todos os dias.” Se só de pensar nisso, você já imagina o tanto de afazeres de sua agenda, relaxe. Basta um minuto por dia. Para começar, acesse o endereço www.nadismo.com.br e vislumbre por 60 segundos a lenta travessia das nuvens pelo céu azul. Já ajuda e muito.

Um passo de cada vez
Embora sintamos na pele os benefícios de ficar de pernas para o ar de vez em quando, não é raro sentir culpa na hora de incluir pequenas pausas no dia a dia. “Isso acontece porque a sociedade vive dizendo que temos que ser produtivos o tempo todo”, afirma a executiva Bibianna Teodori, de São Paulo, especialista na gestão de pessoas. No entanto, como se não bastasse a cobrança social, é preciso lidar com a culpa interna, que costuma ser tão ou mais cruel. Nesse quesito, as mulheres deixam os homens no chinelo. “Como são multitarefa, ou seja, tendem a realizar um montão de coisas de uma só vez, elas têm uma dificuldade maior de desacelerar”, garante Christian Barbosa, especialista em gestão de tempo e produtividade de São Paulo. Segundo ele, além de dar conta das suas próprias obrigações, as mulheres carregam nos ombros a responsabilidade de cuidar dos filhos e de administrar a casa.
Um passo de cada vez


​Diante de tantos afazeres, reservar alguns minutos do dia para esvaziar a cabeça parece um sonho distante – para ser concretizado, quem sabe, quando a prole for independente ou a aposentadoria chegar. O que não é verdade. Muita gente acha que 
parar para cuidar do corpo já é dificíl, quem dirá parar para cuidar da mente, é um desafio daqueles. E, por mais contraditório que seja, só a ideia de que não vai conseguir já causa uma enorme ansiedade. A boa notícia é que, com uma dose de paciência e perseverança, todo mundo pode chegar lá. Para começar, experimente desacelerar aos poucos. No trabalho, por exemplo, Christian Barbosa sugere planejar ao menos duas pausas diárias de cinco ou dez minutos cada uma. “O importante é se desconectar da tarefa que está realizando, seja meditando, escutando música ou caminhando”, aconselha. “Esses momentos de relaxamento já são capazes de reduzir o estresse, trazer disposição, ​melhorar a saúde mental, manter o foco e, consequentemente, aumentar a produtividade.”​Bibianna Teodori ressalta que apertar o pause também favorece o diálogo interior, tão fundamental na busca do autoconhecimento.


Em outras palavras, faz com que a gente reflita sobre quem somos, quais são de fato os nossos objetivos, valores e crenças, o que nos dá (ou não) prazer... “Ao acessar as emoções, temos a possibilidade de afinar os nossos relacionamentos, de olhar a vida sob novas perspectivas, de encontrar soluções criativas para os problemas cotidianos e de desenvolver todo o nosso potencial como ser humano”, acredita. No meio do expediente, segundo ela, vale a pena “perder tempo” fazendo pelo menos três respirações profundas. “Além de proporcionar uma calma imediata, esse exercício simples conduz a mente para o presente, deixando o cérebro mais ativo”, explica. Então, da próxima vez que achar que é impossível apertar o pause, respire fundo e questione-se: correr tanto para quê?

Relaxe...
no celular!

Já que sentimos uma dificuldade imensa de desgrudar os olhos da telinha do smartphone, que tal usar a tecnologia a nosso favor? Conheça cinco aplicativos que irão ajudar você a perder tempo – no bom sentido, é claro!

Headspace



Aqui é possível encontrar dicas de como começar a meditar e áudios curtinhos com exercícios que ajudam todo mundo a ficar menos estressado.

SkyView



Para explorar planetas, estrelas e satélites, é só baixar gratuitamente esse aplicativo. Basta apontar a câmera do aparelho para o céu e curtir as belas imagens captadas pela palma das suas mãos.

Ambiance



Dá para escolher entre mais de 2 mil efeitos sonoros, todos relaxantes e inspiradores. As opções são bem específicas, como “gaivotas na cidade” ou “vento da montanha”.

WavesFree



Disponível para iOS, você seleciona o som do mar que deseja ouvir nesse aplicativo – tem o barulho das ondas quebrando nas pedras, bolhas captadas no oceano, a “melodia” que os surfistas escutam enquanto deslizam sobre a prancha...

Zen Garden



Nada mais relaxante do que montar um jardim, ainda que no mundo virtual. Por US$ 0,99, você define a posição das pedras e faz desenhos na areia. Quando quiser recomeçar, é só sacudir o celular para apagar a criação anterior. Disponível para iOS. A versão para Android é o iZen Garden.​​​​​​​

​​
Água de coco

Veja as dicas da a+ Medicina Diagnóstica sobre água de coco, um isotônico natural. Confira o que essa deliciosa bebida pode proporcionar ao seu corpo.

Confira a lista completa de dicas da a+ para uma vida mais saudável