Manual do exame
Orientações necessárias
Este exame só é realizado em hospitais nos quais o Fleury é o responsável técnico pelo serviço de análises clínicas
I- Informações sobre o exame:
- Em casos específicos e com indicação médica, a punção pode ser feita com o paciente sedado ou anestesiado. Nestes casos, há a necessidade de se agendar a anestesia.
II - Para materiais enviados:
- As amostras devem ser refrigeradas e entregues, preferencialmente, até 24 horas após a coleta, com um mínimo de 5 mL de liquor refrigerado.
Processamento e adequação da amostra
4 - Processamento e adequação da amostra
- Após a coleta, o material deve ser encaminhado, imediatamente, para o laboratório para processamento. O seguinte fluxo deve ser observado:
1. Deve ser separado 1 mL para a contagem global e específica, ou seja 1 gota na câmara de Fucks e o restante na câmara de Suta.
2. Se houver mais de 4 células/mm3 o restante deve ser centrifugado por 10 minutos a 3400 rpm. Com o sobrenadante faz-se toda a análise bioquímica e imunológica e o com o sedimento faz-se o bacteriosópico direto e a semeadura em meios apropriados para serem encaminhados à MIC.
4. Se houver menos de 4 células/mm3 não há necessidade de centrifugar a amostra nem de se fazer os exames bacteriológicos, salvo se houver indicação médica.
5. A pesquisa de antígeno capsular bacteriano é feita se houver indicação médica. Deve-se inativar 500 microlitros do sobrenadante em banho-maria a 100° C por 5 minutos e, posteriormente, proceder como indica a bula do kit.
- Casos especiais devem ser consultados no setor de líquor (ramais 6850/6852)
- Material deverá ser SEMPRE refrigerado, NUNCA congelado, e ser mantido assim.
Interferentes:
- Material contaminado com hemácias ou exposto ao calor
- Material congelado
Método
- O exame do líquor compreende:
- Exame físico:
Punção lombar ou SOD.
Níveis pressóricos utilizando-se manômetro de Claude (em cm de água)
Aspecto (límpido, turvo ou hemorrágico)
Côr (incolor, xantocrômico ou eritrocrômico)
Provas manométricas (permeabilidade do canal raquidiano)
- Exame citológico:
Contagem global (na câmara de Fucs-Rosenthal)
Contagem diferencial (coloração por Leishman após citocentrifugação ou em câmara de Suta)
Citologia oncótica (coloração por Leishman após citocentrifugação)
- Exame bioquímico:
Proteínas totais (método automatizado - colorimétrico - vermelho de pirogalol)
Glicose (método automatizado - enzimático - oxidase)
Dosagem do lactato (método automatizado - enzimático)
Valor de referência
- Aspecto: límpido;
- Cor: incolor;
- Pressão inicial: até 20 cm de água.
- Células: 0 a 4 cels/mm3;
- Diferencial: predomínio de linfócitos em adultos e monócitos em recém-nacidos;
- Proteínas totais: depende do local da coleta e faixa etária:
a) subocciptal: até 30 mg/dL;
b) lombar: até 40 mg/dL;
c) ventricular: até 25 mg/dL;
- Glicose: 2/3 da glicemia normal, aproximadamente de 50 até 80 mg/dL;
- Lactato: 9 - 16 mg/dL
Interpretação e comentários
- O líquido cefalorraquidiano (LCR), ou liquor, envolve todo o sistema nervoso central, protegendo-o. Em virtude dessa íntima relação, sua análise permite o diagnóstico da maior parte das doenças infecciosas, inflamatórias, neoplásicas e vasculares que acometem a região. A verificação das pressões permite determinar a existência de hiper ou hipotensão intracraniana e de bloqueios à circulação do liquor. Já as doenças inflamatórias e infecciosas costumam ocasionar um aumento do número de células. De acordo com o tipo celular presente, é possível estabelecer o tipo de moléstia. Por sua vez, as neoplasias que atingem o sistema nervoso podem ser diagnosticadas pela presença de células neoplásicas no LCR. A comparação do número e do tipo de células entre vários exames permite acompanhar a evolução do processo. As dosagens de proteínas, glicose, lactato e ureia possibilitam, em conjunto, avaliar o metabolismo cerebral. Essas substâncias têm seus valores de referência alterados de acordo com a enfermidade presente.


